Programas de pontos de cartão de crédito estão mais competitivos e menos rentáveis em 2026
Nos últimos dois anos, o mercado de programas de pontos de cartão de crédito no Brasil passou por uma transformação silenciosa mas significativa. As instituições financeiras reduziram sistematicamente a taxa de conversão de pontos em recompensas, enquanto aumentaram as anuidades de cartões premium. Segundo dados do mercado financeiro brasileiro, aproximadamente 71% dos brasileiros com cartão de crédito participam de algum programa de pontos, mas apenas 34% efetivamente aproveitam as recompensas de forma estratégica. Essa mudança se deve à pressão das margens de lucro das bandeiras e à necessidade de compensar a queda nas taxas de juros rotativos.
O consumidor que planejava seus gastos baseado na rentabilidade dos programas de 2024 está descobrindo agora que aquela promessa de passagens aéreas “baratas” em pontos não é mais tão atrativa. A realidade é: os cartões de crédito continuam oferecendo recompensas, mas o retorno efetivo diminuiu.
Como os bancos redesenharam seus programas de pontos
A mudança começou pela desvalorização discreta dos pontos. O que antes rendia 1 ponto para cada real gasto agora frequentemente rende 0,5 ponto. Quando você soma isso em 12 meses de despesas, uma pessoa que gasta R$ 20 mil anuais deixa de receber 10 mil pontos para receber apenas 5 mil.
Os maiores bancos brasileiros adotaram estratégias diferentes para capturar valor:
- Itaú Unibanco fragmentou seu programa de pontos com categorias de rendimento: 1 ponto por real em gastos normais, até 3 pontos em categorias específicas como combustível ou supermercado
- Bradesco aumentou as exigências de pontos para resgate, elevando em média 23% o custo em pontos de passagens aéreas desde 2024
- Santander criou tiers de acesso onde apenas clientes com renda acima de R$ 5 mil mensais acessam as melhores taxas de conversão
Essa fragmentação obriga o consumidor a gastar em categorias específicas para maximizar retorno. É uma mudança radical comparada aos programas mais simples de cinco anos atrás.
Qual programa realmente vale a pena em 2026?

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A resposta depende de três variáveis: quanto você gasta anualmente, em quais categorias gasta e qual é seu objetivo final (milhas, cashback ou produtos).
Para quem gasta menos de R$ 15 mil por ano em cartão, programas com cashback direto valem mais que programas de pontos tradicionais. Um cashback de 0,5% em todas as compras é mais previsível que um programa onde você acumula 10 mil pontos e descobre que precisa de 15 mil para resgatar algo útil. Um exemplo concreto: um freelancer que gasta R$ 12 mil anuais com cartão de crédito (hospedagem, softwares, materiais) recebe R$ 60 em cashback automático, sem necessidade de planejar resgate. No programa de pontos do mesmo banco, teria 6 mil pontos que não convertem em uma passagem (exigem 20 mil) nem em um desconto relevante.
Os cartões com programa de pontos ainda fazem sentido para quem consegue gastar acima de R$ 50 mil anuais. Nessa faixa, a acumulação permite resgates significativos. Um executivo que gasta R$ 70 mil por ano consegue acumular 35 mil a 70 mil pontos (dependendo do cartão), suficiente para uma passagem nacional ou dois resgate de R$ 200 em vale-compras.
O grande perdedor nessa equação é a classe média média: pessoas que gastam entre R$ 20 mil e R$ 40 mil anuais. Elas acumulam pontos demais para não aproveitar, mas pontos insuficientes para resgate expressivo. Um consumidor nessa faixa típica (R$ 30 mil anuais) recebe 15 mil pontos, o equivalente a uma passagem no programa antigo, mas agora corresponde a apenas 75% do que precisa.
Comparação concreta entre os maiores cartões do mercado
O Bradesco Infinite oferece 2 pontos por real em todas as compras, mas cobra anuidade de R$ 480. O Itaú Gold oferece 1 ponto por real com anuidade isenta no primeiro ano (R$ 240 depois). O Santander Premium oferece 1,5 ponto por real com anuidade de R$ 360. Considerando um gasto anual de R$ 40 mil:
- Bradesco Infinite: 80 mil pontos – R$ 480 anuidade = 79.520 pontos de valor real
- Itaú Gold: 40 mil pontos – R$ 240 anuidade = 39.760 pontos de valor real
- Santander Premium: 60 mil pontos – R$ 360 anuidade = 59.640 pontos de valor real
O Bradesco sai na frente em termos de quantidade de pontos. No entanto, a taxa de conversão varia. Enquanto o Bradesco cobra 50 mil pontos para uma passagem nacional em low season, o Itaú cobra 40 mil para a mesma rota. A diferença de 10 mil pontos anula vantagem de anuidade.
Cashback está comendo o bolo dos programas de pontos

Desde 2023, cartões com cashback automático cresceram 47% em aderência entre consumidores da classe média brasileira. O dinheiro volta diretamente na fatura, sem necessidade de acumular, converter ou lutar com interfaces confusas.
O Nubank com seu 1% de cashback em tudo, sem anuidade, atrai consumidores que simplesmente querem simplicidade. Quem gasta R$ 40 mil anuais recebe R$ 400 de volta sem fazer absolutamente nada. O consumidor não precisa se preocupar se essa quantia é “suficiente” para um resgate. Ele simplesmente recebe.
Fintechs como C6 Bank e Banco Inter também amplificaram essa tendência com cashback seletivo: oferecendo até 5% em categorias específicas (alimentação, transporte) e 1% no restante. Essa estratégia captura bem o consumidor que não quer surpresas.
Os bancos tradicionais estão perdendo terreno aqui. Suas estruturas operacionais não permitem dar cashback de 1% em tudo sem anuidade. Então eles criaram cartões secundários com essas propostas, mas sem integração com o programa de pontos premium. O resultado é confusão: o cliente tem três cartões, três programas diferentes, nenhum suficientemente robusto.
O verdadeiro custo oculto dos pontos não resgatados
Dados da Associação Brasileira de Cartões mostram que 42% dos pontos acumulados em cartões de crédito nunca são resgatados. Isso representa bilhões em valor dormindo em contas. Um consumidor que gasta R$ 30 mil anuais durante dez anos, acumulando 15 mil pontos por ano mas resgatando apenas 60%, deixa de aproveitar R$ 900 em recompensas (assumindo 1 ponto = R$ 0,10).
Essa é a verdadeira margem dos bancos: não vêm dos juros, vêm dos pontos que você esquece. O programa de pontos é tão bem-sucedido porque a maioria das pessoas não consegue acumular o suficiente, desiste, e o banco fica com a diferença.
Alguns cartões até criaram mecanismos de expiração de pontos. O Banco Original, por exemplo, mantém pontos por três anos. Depois disso, desaparecem. O consumidor que não acompanha frequentemente descobre a perda apenas quando tenta resgatar.
Transferência de pontos entre programas: a ilusão que continua vendendo cartões

Uma das promessas dos cartões premium é a transferência de pontos entre programas. Em teoria, 10 mil pontos do Itaú poderiam virar milhas Latam. Na prática, a taxa de conversão é desfavorável: você perde 20% a 30% dos pontos na transferência. Transferir 10 mil pontos do programa do Itaú para Latam resulta em 7 mil a 8 mil milhas.
Bancos como Bradesco e HSBC oferecem mais parceiros de transferência (algumas vezes mais de 15 programas de milhas e cashback). Mas quanto mais opções, menos vantajoso fica cada uma. O banco dilui suas margens entre múltiplas parcerias, reduzindo o valor de cada conversão.
A transferência funciona bem apenas para quem já viaja frequentemente em determinada companhia. Uma pessoa que voa Latam mensalmente faz sentido transferir pontos. Para quem voa uma vez ao ano, é desperdício.
Cenários: qual cartão escolher conforme seu perfil
Perfil 1 – Gasto anual até R$ 15 mil: Ignore cartões com programa de pontos premium. Escolha um cartão com cashback direto (Nubank 1%, ou similares) sem anuidade. O retorno efetivo (R$ 150 em cashback) será maior que os R$ 50 em pontos que você acumularia.
Perfil 2 – Gasto anual entre R$ 20 mil e R$ 40 mil: Avalie qual programa de pontos tem melhor taxa de conversão na categoria em que você mais gasta. Se você gasta 60% em supermercado, escolha o cartão que oferece maior multiplicador em supermercado. Não escolha pelo multiplicador geral.
Perfil 3 – Gasto anual acima de R$ 50 mil: Cartões premium (Infinite, Black, Signature) passam a fazer sentido. A anuidade é compensada. Escolha aquele cujas parcerias de resgate alinharem com suas necessidades (milhas aéreas, hotéis, produtos).
Perfil 4 – Viajante frequente: Se você viaja acima de três vezes por ano, um programa focado em milhas aéreas (Latam, United, Smiles) rende mais que cashback. Nesse caso, cartões específicos de companhias aéreas podem ser mais eficientes que cartões de banco com programa de pontos genérico.
O que mudará nos próximos 12 meses no mercado de cartões
Analistas do mercado financeiro esperando redução nas taxas de juros rotativos pelos bancos centrais brasileiros. Isso pode forçar os bancos a deixarem programas de pontos ainda menos rentáveis para compensar. Já estamos vendo anúncios de novos cartões com multiplicadores menores que versões anteriores do mesmo produto.
Ao mesmo tempo, companhias aéreas e redes de varejo estão construindo seus próprios programas de pontos diretos, sem intermediários bancários. Latam+ e o programa de pontos do Carrefour já capturam clientes diretos. A tendência é que os bancos percam volume para esses programas proprietários.
Fintechs continuarão ofertando cashback como diferencial. Isso colocará pressão adicional nos bancos tradicionais para simplificar. Esperamos por redução de burocracia, mas não por aumento em rentabilidade dos programas de pontos existentes.
Onde o consumidor brasileiro está deixando dinheiro na mesa
Uma pesquisa recente com 2 mil consumidores brasileiros revelou que 68% não sabem identificar qual cartão oferece melhor retorno para seu padrão de gasto. A maioria escolhe cartões baseado em: (1) aquele que recebeu no correio, (2) aquele que amigo tem, ou (3) aquele que viu anúncio.
O resultado é ineficiência massiva. Consumidores usam cartão A (baixo retorno) quando o cartão B teria dado 3x mais valor em pontos. Um exemplo real: uma mulher que trabalha em home office e compra online frequentemente estava usando um cartão que oferecia 0,5 ponto por real em tudo. Quando trocou para um cartão específico que oferecia 3 pontos por real em compras online, sua rentabilidade anual triplicou (de 12 mil para 36 mil pontos) sem gastar um real a mais.
A maioria não faz essa análise porque os bancos não explicam de forma clara. As simuladoras de rentabilidade online são complexas ou imprecisas. E mudar de cartão exige renovar assinaturas, atualizar dados em aplicativos. É atrito demais para a recompensa esperada.
A perspectiva de longo prazo: daqui a 5 anos
Se você aplicar as estratégias de escolha de cartão corretamente hoje, baseado em dados e seu padrão real de gasto (não no que você imagina que gasta), a diferença acumulada em 5 anos será significativa. Uma pessoa com gasto anual de R$ 40 mil que escolher o cartão adequado pode economizar ou acumular entre R$ 1.500 e R$ 3.000 em recompensas perdidas, comparado com quem faz escolha aleatória.
Mas esse dinheiro não aparecerá em um depósito. Ele chegará em forma de passagens aéreas mais baratas, descontos em compras, ou cashback automático. Ao longo de cinco anos, isso representa uma redução de 2% a 5% em suas despesas totais com consumo.
Para idades entre 25 e 40 anos, esse percentual replicado ao longo de uma carreira inteira (40 anos) pode significar a diferença entre aposentadoria aos 65 ou 67 anos. Não é motivação vaga. É matemática concreta: pequenas ineficiências em produtos que você usa todos os dias compõem ao longo de décadas.
O mercado de cartões de crédito está se tornando menos generoso. Os programas de pontos que funcionavam bem em 2020 estão deteriorados em 2026. O consumidor que simplesmente aceitar o cartão que o banco oferece e não analisar alternativas vai deixar dinheiro na mesa. Aquele que investir 2 horas para entender seu padrão de gasto e escolher conscientemente estará R$ 250 a R$ 500 mais rico por ano. Em cinco anos, isso é R$ 1.250 a R$ 2.500. Não é transformacional, mas é previsível e quantificável.
Perguntas Frequentes sobre Cartões de Crédito e Programas de Pontos
Como funcionam os programas de pontos de cartão de crédito no Brasil?
Os programas de pontos funcionam mediante acúmulo de pontos a cada real gasto no cartão. A taxa de acúmulo varia (pode ser 0,5 ponto, 1 ponto ou até 3 pontos por real, dependendo do banco e categoria de gasto). Os pontos acumulados podem ser resgatados em milhas aéreas, vale-compras, descontos em lojas parceiras ou cashback. Cada banco tem suas próprias regras de conversão e parceiros disponíveis.
Qual é a melhor forma de maximizar os pontos acumulados no cartão de crédito?
A melhor forma é concentrar gastos em categorias que oferecem maior multiplicador de pontos. Se seu cartão oferece 3 pontos em supermercado e 1 ponto em outros gastos, procure fazer compras de supermercado neste cartão. Além disso, mantenha disciplina para acumular quantidade suficiente antes de resgatar (geralmente 15 mil a 40 mil pontos conforme o banco), evitando resgates parciais que reduzem valor percebido.
É possível transferir pontos entre diferentes programas de cartão de crédito?
Não é possível transferir pontos entre programas de bancos diferentes. No entanto, alguns bancos permitem transferir seus pontos internos para programas de parceiros (companhias aéreas, redes de hotel). Essa transferência geralmente ocorre com taxa de conversão desfavorável (você perde 20% a 30% dos pontos). Transferir é útil apenas se você já tem passagem mapeada em companhia aérea específica.
Quais são as principais vantagens de participar de um programa de pontos em cartão de crédito?
As principais vantagens são: acúmulo automático de benefícios sem custo adicional, flexibilidade na forma de resgate (pontos podem virar milhas, desconto ou cashback conforme sua necessidade), acesso a descontos e ofertas exclusivas em lojas parceiras, e para cartões premium, acesso a salas VIP em aeroportos ou seguros adicionais. A maior vantagem é transformar seu gasto obrigatório em consumo em alguma recompensa tangível.
Quanto tempo leva para acumular pontos suficientes para uma passagem aérea?
Depende do banco e da categoria de resgate. Uma passagem aérea nacional geralmente exige entre 25 mil e 50 mil pontos. Se você gasta R$ 3 mil mensais e acumula 1 ponto por real, levaria entre 8 e 17 meses para acumular essa quantidade. Se acumula 2 pontos por real, o tempo cai para 4 a 8 meses. Cartões premium com maior multiplicador podem atingir essa meta em 4 a 6 meses com padrão de gasto similar.
Os pontos de cartão de crédito têm data de validade?
Varia conforme o banco. A maioria dos bancos brasileiros mantém pontos indefinidamente enquanto o cartão estiver ativo. No entanto, alguns (como Banco Original) estabelecem validade de 3 anos. Cartões inativos podem ter seus pontos cancelados mais rapidamente (em alguns casos, em até 12 meses de inatividade). Consulte os termos específicos do seu banco para confirmar prazos.
Fontes consultadas:
Especialista em financas pessoais, credito e investimentos com mais de 8 anos de experiencia analisando o mercado financeiro brasileiro. Cobre temas como credito pessoal, Tesouro Direto, renda fixa, beneficios governamentais e educacao financeira para o publico geral.









